domingo, 19 de junho de 2011

Projeto Tertúlia Literária

Criado em 2009, o Tertúlia Literária, cujo nome significa reunião de amigos leitores, é um projeto desenvolvido pela Faculdade de Educação (FAE) da UFMG que pretende reunir leitores para falar de suas experiências com o universo dos leitores.
A cada edição é escolhida uma temática que orienta os livros selecionados, em sua 3° edição o tema é viagem e conta com diversos títulos entre eles: Odisseia de Homero e Vidas secas de Graciliano Ramos
 Os participantes lêem livros de literatura que são selecionados para  encontros mensais que acontecem na própria Faculdade de Educação. Esses encontros ocorrem normalmente nas tardes das últimas sextas-feiras de cada mês. È uma tarde agradável de muito bate papo e aprendizado onde são compartilhadas experiências de leitura dos participantes e de convidados.
Participei do projeto nas em suas duas primeiras edições e posso dizer que foi uma das coisas mais maravilhosas que já conheci, pois para todos nós estudantes acostumados com certa frieza do contexto acadêmico, se reunir em tardes de sexta feira para falar sobre literatura, saboreando biscoitinhos caseiros  maravilhosos parece mesmo uma utopia.

Literatura e conexões

Essa semana passando em frente á uma banca de jornal, não resisti e mesmo com toda a pressa de sempre, foi inevitável não parar e ler, a capa da revista Veja de 18 de Maio de 2011. Após a leitura da capa, segui para leitura do conteúdo da reportagem especial intitulada, “Uma geração descobre o prazer de ler”, onde é tratado a contribuição das tecnologias e dos “clássicos globais” para formação de novos leitores.
Bruno Meier inicia o texto dando o exemplo de uma jovem universitária carioca, que usou o seu blog para convidar pessoas que se interessassem em ler obras de grandes autores para um grupo de discussão. Ele usa esse exemplo para desmentir algumas teses, que diziam que os “sucessos globais” como ele denomina - Harry Potter, Crepúsculo, etc. não ajudariam na formação de novos leitores e que o resultado desse fenômeno de vendas seria nulo. Ele aproveita o viés para falar das previsões pessimistas que circulou no decorrer do último século, a dos livros e o hábito de ler estarem fadados à morte. Segundo Meier mesmo contra a expectativa vem surgindo “uma nova e robusta” geração de leitores no país – movida pelos sucessos globais como evidenciam os números que se referem a vendas de livros no país.
Um dado importante que a reportagem traz é que não importa a idade, um leitor pode ir aprimorando seu gosto. Pode partir de livros despretensiosos e chegar a clássicos. No corpo da reportagem há sugestões de organogramas de leituras partindo de sucessos globais até chegar aos clássicos literários.

Referência
Revista Veja, edição 2217 - ano 44 - nº 20, 18 de Maio de 2011. Editora Abril.

SUGESTÃO
Falando em boas reportagens é inevitável não lembrar da edição especial da revista Nova Escola, sobre Leitura Literária. 

Literatura Infantil brasileira (1960 - 1980)

A Literatura Infantil Brasileira sofreu ao longo de sua existência transformações a fim de se adequar as novas expectativas e exigências da sociedade contemporânea, dessa forma Marisa Lajolo e Regina Zilberman propõem em Literatura Infantil Brasileira: História & Histórias uma discussão sobre essa temática. Dividido em sete capítulos (sendo o último destinado a cronologia histórico-literária) o livro abrange o processo de mudança da Literatura Infantil desde o período da república velha até a redemocratização do país. Como recorte esse presente texto discutirá apenas o sexto capítulo, no qual se refere à literatura da década de 60 em diante.
A partir dos anos de 1960 presenciamos no Brasil uma explosão de publicações voltadas para as crianças e jovens, isso se deve a vários fatores, o principal deles é a consolidação do capitalismo no país, onde a iniciativa privada de editoras e gráficas oportunizou uma maior infra-estrutura dos meios de circulação literária e consequentemente um campo atrativo para os escritores. O que vemos é um número exorbitante de obras e autores que hora rompe com a tradicional Literatura Infantil hora resgatam traços de um período Lobatiano.
Com o mercado de livros super aquecido e uma concorrência acirrada, os escritores se vêem obrigados a lançarem uma grande quantidade de volumes para se estabilizarem no campo. O resultado é uma produção em série, no qual o mesmo personagem aparece em histórias diferentes, o que lembra muito a estratégia seguida por Monteiro Lobato.
O objetivo da literatura nesse período segue em várias vertentes. Alguns autores em seus trabalhos preferem focalizar os problemas sociais e a marginalização da infância, assim os textos retratam a vida de crianças pobres, negras e com todas as dificuldades que uma sociedade moderna pode ter. Neste sentido temos uma inovação no modo de pensar o texto para os pequenos, já que tal tema era até então considerados impróprio para eles.
Outra tendência é uma narrativa voltada para história policial e de ficção científica, nos quais as crianças em sua maioria aparecem como protagonista. É interessante observar o confronto existente entre o mundo dos grandes e dos pequenos, as crianças representam uma espécie de herói por conseguirem resolver todo o problema causado pelo vilão que é sempre um adulto.
Por último a literatura buscou uma ruptura com a poética tradicional, essa seria a maior inovação deste período. Os autores ao produzirem seus textos rompem com uma literatura tradicionalmente escolar e moralista e assume o papel de narrador repleto de dúvidas e inseguranças, típico do modernismo. As obras passaram a incorporar temas do cotidiano em uma linguagem mais coloquial. Presenciamos também uma articulação entre o texto e a imagem onde este último não admite mais ser apenas uma ilustração assumindo assim um papel autônomo do texto escrito ou pelo menos um complemento dele, um texto visual.

Referência:
LAJOLO, Marisa e ZILBERMAN, Regina. Literatura Infantil Brasileira: História e Histórias. São Paulo, Ática, 1984.